quarta-feira, 24 de março de 2010

PRÉSAL


DESCOBERTA DO PRÉSAL NA BACIA DE SANTOS

A descoberta da camada do pré-sal foi muito alardeada pelo governo federal e casou alegria na população que vê como mais uma forma de investimento no país. A partir de 2016 o Brasil pode se tornar um dos maiores produtores de petróleo podendo chegar a 8ª ou 9ª posição dentre os grandes produtores.

Segundo a Petrobrás o pré-sal foi formado a milhares de anos, durante a separação da América do Sul da África, originando um lago que cheio de matéria orgânica morta (fitoplânctons) originou as rochas carbonáticas.

Essa camada rochosa contém jazidas de petróleo que se estende por 800km , entre o Espírito Santo a Santa Catarina e com cerca de 7 mil metros de profundidade, abaixo da camada de sal.

As maiores descobertas foram encontradas nos estados de Santa Catarina e Espírito Santo de óleo leve que tem um valor comercial elevado.

Apesar da euforia muito tem se discutido sobre as tecnologias que vão ser empregadas para perfuração dos poços de petróleo e a estimativa do alto custo dessa operação. Segundo Greenpeace será necessário cerca de 600 bilhões de reais(45% do PIB), para o custo do projeto empregados em tecnologias . Como logística de apoio em alto mar e desafios geológicos já que desconhece o tipo de rocha que contém hidrocarbonetos e a Petrobras não tem experiência nesse modelo de perfuração.

Outro problema preocupante é o meio ambiente. Existem projetos o que precisa ver se eles são viáveis. Um deles é a retirada e o armazenamento do carbono, conhecido como CCS, podendo ser viável para 2030. E o outro é a instalação no fundo do mar de filtros a base de carvão ativado para a absorção de óleo.

Segundo o Greenpeace ao longo dos 40 anos serão emitidos cerca de 1,3 bilhão de toneladas de CO2 por ano só com o refino, abastecimento e queima de petróleo, fazendo o Brasil estar entre os três maiores poluidores do mundo. De um lado o poder econômico que o petróleo pode dar tanto para os estados produtores como para o país e de outro lado está a degradação ambiental.

Espero que tenhamos tecnologia capaz de diminuir os impactos ambientais, tanto no mar com o perigo da degradação marinha, como no ar, com a emissão do CO2.

REFERÊNCIA

Kellner, Erick; Silva, Ivone Silveira. Processo formador em Educação Ambiental a Distância: Educação Ambiental Tema Fogo (Energia) no Estado de São Paulo. SP,UAB, UNIFESP, 2009.

WWW.greenpeace.org/brasil/oceanos/notícias/o-pre-sal-e-nosso-e-a-sua-poluicao

imagem fonte:http://wirna.files.wordpress.com/2009/11/pre-sal-brasil.jpg

DIA MUNDIAL DA ÁGUA - DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DA ÁGUA


Declaração Universal dos Direitos da Água

Art. 1º - A água faz parte do patrimônio do planeta.Cada continente, cada povo, cada nação, cada região, cada cidade, cada cidadão é plenamente responsável aos olhos de todos.

Art. 2º - A água é a seiva do nosso planeta.Ela é a condição essencial de vida de todo ser vegetal, animal ou humano. Sem ela não poderíamos conceber como são a atmosfera, o clima, a vegetação, a cultura ou a agricultura. O direito à água é um dos direitos fundamentais do ser humano: o direito à vida, tal qual é estipulado do Art. 3 º da Declaração dos Direitos do Homem.

Art. 3º - Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito limitados. Assim sendo, a água deve ser manipulada com racionalidade, precaução e parcimônia.

Art. 4º - O equilíbrio e o futuro do nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos. Estes devem permanecer intactos e funcionando normalmente para garantir a continuidade da vida sobre a Terra. Este equilíbrio depende, em particular, da preservação dos mares e oceanos, por onde os ciclos começam.

Art. 5º - A água não é somente uma herança dos nossos predecessores; ela é, sobretudo, um empréstimo aos nossos sucessores. Sua proteção constitui uma necessidade vital, assim como uma obrigação moral do homem para com as gerações presentes e futuras.

Art. 6º - A água não é uma doação gratuita da natureza; ela tem um valor econômico: precisa-se saber que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em qualquer região do mundo.

Art. 7º - A água não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem envenenada. De maneira geral, sua utilização deve ser feita com consciência e discernimento para que não se chegue a uma situação de esgotamento ou de deterioração da qualidade das reservas atualmente disponíveis.

Art. 8º - A utilização da água implica no respeito à lei. Sua proteção constitui uma obrigação jurídica para todo homem ou grupo social que a utiliza. Esta questão não deve ser ignorada nem pelo homem nem pelo Estado.

Art. 9º - A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos de sua proteção e as necessidades de ordem econômica, sanitária e social.

Art. 10º - O planejamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade e o consenso em razão de sua distribuição desigual sobre a Terra.

PLANETA ÁGUA


Guilherme Arantes

Água que nasce na fonte serena do mundo
E que abre o profundo grotão
Água que faz inocente riacho e deságua
Na corrente do ribeirão
Águas escuras dos rios
Que levam a fertilidade ao sertão
Águas que banham aldeias
E matam a sede da população

Águas que caem das pedras
No véu das cascatas ronco de trovão
E depois dormem tranqüilas
No leito dos lagos, no leito dos lagos

Água dos igarapés, onde Iara mãe d’água
É misteriosa canção
Água que o Sol evapora
Pro céu vai embora
Virar nuvens de algodão
Gotas de água da chuva
Alegre arco - íris sobre a plantação
Gotas de água da chuva
Tão tristes são lágrimas na inundação

Águas que movem moinhos
São as mesmas águas
Que encharcam o chão
E sempre voltam humildes
Pro fundo da terra

Terra, Planeta Água ...
Terra, Planeta Água
Terra, Planeta Água.


SOBRADINHO

Sá e Guarabira

O homem chega e já desfaz a natureza
Tira gente põe represa, diz que tudo vai mudar

O São Francisco lá prá cima da Bahia
Diz que dia menos dia,vai subir bem devagar

E passo a passo vai cumprindo a profecia
Do beato que dizia que o sertão ia alagar

O sertão vai virar mar...
Dá no coração
O medo que algum dia
o mar também vire sertão

Vai virar mar,
Dá no coração
O medo que algum dia
O mar também vire sertão

Adeus Remanso, Casa - Nova, Santo-Sé
Adeus Pilão Arcado, vem o rio te engolir

Debaixo d'água lá se vai a vida inteira
Por cima da cachoeira o Gaiola vai subir

Vai ter barragem no salto do Sobradinho
E o povo vai se embora com medo de se afogar

O sertão vai virar mar...
Dá no coração
O medo que algum dia
O mar também vire sertão

Vai virar mar,
Dá no coração
O medo que algum dia
O mar também vire sertão

Remanso,Casa-Nova,Santo-sé,Pilão Arcado
Sobradinho
Adeus, adeus!

sexta-feira, 12 de março de 2010

MORTE DE TONELADAS DE PEIXE NA AMAZÔNIA


A construção da barragem da usina de Santo Antônio, no rio Madeira, em Rondônia, causou a morte de 11 toneladas de peixes, segundo o Ibama. O consórcio Madeira Energia S/A (Mesa), responsável pela obra, foi multado pelo instituto em R$ 7,7 milhões. A autuação ocorreu nesta quinta-feira (29), após um laudo técnico constatar que a responsabilidade pelo acidente, ocorrido no último dia 10, cabia às empresas.

Segundo César Guimarães, superintendente do Ibama em Rondônia, a mortandade ocorreu no local em que estão sendo construídas as bases da barragem. Para secar o local, parte da água foi represada e drenada. Durante esse processo, os peixes não teriam sido retirados de forma correta, e não resistiram. “Ocorreu uma secagem muito rápida, e a demanda por oxigênio era muito grande”, explica Guimarães.

Em nota divulgada à imprensa, o consórcio Mesa afirma que aguarda o parecer técnico do Ibama para se pronunciar sobre a autuação. O grupo informa que o trabalho de resgate dos animais levou 17 dias, e que 85 toneladas de peixes teriam sido retiradas com vida. Outras cinco toneladas teriam morrido e seis mil quilos, devido à fragilidade em que se encontravam, foram resfriados e doados à Secretaria Municipal de Saúde de Porto Velho. "Esse trabalho [de resgate] teve autorização do IBAMA e foi executado por uma equipe técnica da Universidade Federal de Rondônia (UNIR)", afirma a nota.

Agravantes


A multa inicial era de R$ 5,5 milhões (R$ 500 por quilo de peixe), mas o Ibama considerou que houve agravantes, como a morte de peixes durante o período de reprodução – a chamada “piracema – e a falta de comunicação do acidente. Por conta disso, o valor da autuação foi 40% maior. “Foi uma denúncia que motivou nossa fiscalização”, revela o superintendente do instituto. Segundo nota divulgada pelo Ibama, ainda cabe recurso à multa.

Com potência de 3.140 megawatts – cerca de um quarto da potência da usina de Itaipu –, a usina de Santo Antônio está prevista para entrar em operação em 2012. De acordo com Guimarães, a obra não corre o risco de ser embargada, pois não há risco iminente de novos acidentes.

O consórcio Madeira Energia é formado pelas empresas Odebrecht, Andrade Gutierrez, Furnas e Cemig, além dos bancos Banif e Santander.

fonte:http://www.globoamazonia.com/Amazonia/0,,MUL933909-16052,00-CONSTRUCAO+DE+USINA+NO+RIO+MADEIRA+CAUSA+MORTE+DE+TONELADAS+DE+PEIXES.html

sábado, 6 de março de 2010

PEGADA ECOLÓGICA DE SÃO PAULO


Segundo Ivone Silveira da Silva o clima vem sendo afetado tanto nas cidades como nas zonas rurais. E o inimigo número um nas cidades são os automóveis que liberam no ar gases tóxicos como o monóxido de carbono (Co), óxidos de nitrogênio (NOx) e hidrocarbonetos. A cidade de São Paulo é uma das mais poluídas do mundo, detém cerca de 40% da frota automotiva do Brasil com cerca de 16,9 milhões de veículos.
E um dos problemas mais graves é a concentração de ozônio nas grandes cidades, que acarreta riscos a saúde humana como destruição dos cílios das vias respiratórias, pulmões menores nas crianças e está relacionado a perdas agrícolas.
O estado de São Paulo com cerca de 645 municípios atingiu marca de 40 milhões de habitantes e equivale a 21% da população brasileira. Na América do Sul perde apenas para a Colômbia com cerca de 453 milhões de habitantes.
Esse grande número da população somada ao consumo desenfreado é responsável por um modelo econômico insustentável para um modelo de mundo sustentável.
Estamos vivendo acima e além dos recursos disponível no planeta. Precisamos rever padrões de consumo e produção. Apenas cinco países são capazes de sustentar com suas próprias terras: Argentina, Austrália, Brasil, Canadá e Chile.
O termo Pegada Ecológico criado em 1990 pelos pesquisadores americanos Mathias Wachernagel e William Rees é expressa por um indicador métrico, que identifica três grandes dimensões: a própria Pegada Ecológica, ou consumo de recursos, a capacidade biológica ou biocapacidade da área estudada e seu resultado, o balanço ecológico.
Ele é um importante instrumento para o diagnóstico, análise, desenvolvimento de políticas públicas e tomadas de decisão no que se refere ao uso de recursos de uma determinada área.
A Pegada Ecológica de um cidadão americano ou japonês típico é de 4-5 hectares, por pessoa por ano. Se todos os habitantes tivéssemos o mesmo padrão de consumo teríamos que ter vários planetas Terras. A Pegada Ecológica de toda humanidade deve ser menor do que a porção da superfície do planeta ecologicamente produtivo.
Segundos dados da ONG americana Global Footprint Network cada brasileiro é responsável por uma pegada de 2,5 mil hectares globais, ou seja, seu gasto equivale a 22, 5 mil metros quadrados, a média mundial é de 2,6 hectares globais por ano.
Nós precisamos descobrir um novo estilo de vida, com tecnologias limpas, consumo consciente para que não acabemos com os recursos disponíveis para as futuras gerações. É difícil modificar um estilo de vida criado para o consumo desenfreado, mas é necessário mudanças, mesmo que seja radical.

FAÇA UM TESTE DESCUBRA A SUA PEGADA ECOLÓGICA PELO SITE http://www.wwf.org.br/wwf_brasil/pegada_ecologica/

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
Silva, Ivone Silveira da; Alves, Sarah I.P.M. do Nascimento; Martins, Tereza da Silva. Processo formador em Educação Ambiental a Distância: Educação Ambiental Tema Ar no Estado de São Paulo. SP,UAB, UNIFESP, 2009.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u111507.shtml

http://www.cdcc.usp.br/ciencia/artigos/art_31/aprendendo.html

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Salvem a Billings



LEI DE PROTEÇÃO AOS MANANCIAIS COMENTADA

A preocupação com a proteção aos mananciais surgiu já na primeira versão do PMDI - Plano Metropolitano de Desenvolvimento Integrado, no início da década de 1970. Isso se deu em função da grande concentração urbana que surgia em cabeceiras de bacias hidrográficas (nascentes) e devido a ocupação desordenada em torno de bacias existentes, como são os casos das represas Billings e Guarapiranga. Um dos idealizadores do Plano de Proteção aos Mananciais, que se transformaria em lei, foi o engenheiro sanitarista, Rodolfo Costa e Silva. Em certa ocasião, numa palestra proferida na Câmara Municipal de São Caetano do Sul, o renomado professor da Universidade São Paulo (USP), geógrafo Azis Ab'Saber, afirmou que; "se não protegermos o manancial Billings e a Serra do Mar, daqui há alguns anos, teremos que construir um elevador Lacerda, ligando o ABC à cidade de Cubatão", numa alusão ao elevador existente na Bahia, que liga a cidade alta com a cidade baixa. Mesmo tendo a lei a protege-lo, o manancial Billings vem sendo ocupado de forma desordenada. Quem se dirige de carro de São Paulo para a baixada Santista pela via Anchieta, poderá observar que os morros em frente à Volkswagen do Brasil estão cada vez mais ocupados. Essa mancha urbana já se aproxima da represa e justamente na parte limpa, já que em 1982 a Billings foi compartimentada, junto à ponte da Anchieta, separando a parte suja (que recebe os esgotos dos rios Pinheiro e Tietê) da parte limpa, que abastece São Bernardo do Campo, Diadema e parte de Santo André, onde nasce os rio Grande, antigo rio Jurubatuba, principal formador da parte limpa da represa. O PMDI era bem intencionado pois previa uma ocupação direcionada no sentido Leste-Oeste (São Miguel Paulista/Itaquera/São Mateus). Os técnicos previam que ocupando-se essas áreas, que eram baratas, estariam preservando a Serra da Cantareira e as represa Billings e Guarapiranga. Os técnicos só não contavam com uma coisa; a rotatividade de mão de obra nas indústrias do Grande ABC que acabaram levando ao desemprego milhares de trabalhadores e conseqüentemente "expulsando-os" para a periferia do ABC (mananciais), já que esses desempregados, não podendo pagar os seus aluguéis, acabavam, induzidos ou não, a ocuparem as margens da Billings, ou os morros ao lado das vias Anchieta e Imigrantes. No papel as leis que deveriam proteger os mananciais funcionam maravilhosamente bem, mas na prática elas são desrespeitadas. São portos de areia, fábricas poluidoras, cortes de madeira para padarias, pizzarias, extração de espécies nativas em extinção, queimadas, aberturas de ruas e uma infinidade de contravenções que se flagradas acabam parando na mesa de algum burocrata de plantão. Mesmo aqueles lotes comprados dentro dos parâmetros legais, ou seja, com metragens de 500, 1.000 m², ou mais, acabam com o passar dos anos, com a morte do proprietário ou outro motivo qualquer, sendo desmembrados pelos herdeiros do falecido. É um filho que casa e quer casa e como o terreno é grande e o coração de pai é maior, a lei fica para um plano secundário. O prefeito Lauro Gomes, na década de 1950, dizia que gostaria de transformar o bairro de Riacho Grande numa "Suíça brasileira", já que ao redor de alguns lagos suíços existem habitações de alto luxo, todavia, no Grande ABC temos exemplos de que isso, também não dá certo. O bairro do Eldorado, em Diadema, até por volta de 1960, era o recanto de estrangeiros por ser um local agradável. Havia bons restaurantes, estaleiros que fabricavam barcos e até um cinema. A idéia de transformar o entorno da Billings num lago suíço só não contava com uma coisa; aqui nós temos brasileiros e não suíços para morar próximo às represas. Nos finais de semana o braço da represa Billings, que chegava até à frente da igreja de Nossa Senhora dos Navegantes, ficava repleto de barcos e lanchas. O próprio nome do bairro "Eldorado", significa, a terra sonhada. As chácaras dos alemães, austríacos, espanhóis, entre outras raças se espalhavam em torno da represa. Com o passar dos anos, com a deterioração da represa e com a perda do poder aquisitivo de muitas famílias que cresciam, as áreas foram sendo desmembradas pelos herdeiros ou vendidas para os ditos movimentos, ou quadrilhas travestidas em associações de moradia, que fatiavam e destruíam grandes áreas preservadas. Num país de terceiro mundo, com muita miséria e completamente dependente, é muito arriscado querer transformar o entorno da Billings numa Suíça. Quando a Light comprou os terrenos que seriam inundados com a água para a formação do reservatório Billings, agiu única e exclusivamente, de acordo com seus interesses. Todo o entorno da represa Billings, que se encontra dentro dos mananciais deveria ter sido desapropriado quando da construção da represa, porém como para a empresa canadense Light o que interessava era somente o líquido represado, sujo ou não, para girar as turbinas da usina de Cubatão (Henry Borden), a mesma pagou somente as desapropriações das áreas inundáveis. O ideal seria que as nascentes da Billings também fossem desapropriadas e preservadas e isso poderia ter sido feito pelo governo, caso o mesmo tivesse uma visão de futuro. Na opinião de vários ambientalistas a única forma de se preservar o que resta de mata e nascentes em volta da Billings, seria a transformação dessas margens em parques - estadual ou municipais, já que a fiscalização em torno do cumprimento das leis são ineficazes, pois quando a Polícia Florestal está com carro, não tem combustível e quando tem os dois não tem equipe para fiscalizar e aí fica aquele jogo de empurra-empurra, onde o Estado diz que a prefeitura tem responsabilidade na fiscalização, pois a área fica no município e o município diz que a lei de proteção é estadual e que portanto compete ao estado fiscalizar. Com a criação do Sistema Integrado de Fiscalização e Controle Ambiental da Bacia Hidrográfica do Reservatório Billings, nascido a partir da criação pelas prefeituras do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC e do Subcomitê Billings/Tamanduateí, que é composto por vários segmentos sociais, governo estadual e municipais, a perspectiva de preservação da represa aumentou. Todavia, ainda assim, o que se vê é uma falta de estrutura medonha. Conta-se nos dedos os técnicos dos governos, tanto estadual quanto municipais, envolvidos e como a maioria dos representantes de ONGs, não dispõem de tempo integral para fiscalizar, a coisa caminha a passos lentos, já que as ONGs quando conseguem verba priorizam projetos de educação ambiental, deixando a fiscalização para os governos, o que é o certo. A Lei de Proteção aos Mananciais, autoriza que até indústrias se instalem nessas áreas, desde que as mesmas não sejam poluidoras, todavia, os ambientalistas entendem que a implantação de indústrias nos mananciais acabam criando vetores ocupacionais, isto é, ao redor destas indústrias formam-se cinturões ocupacionais. Apesar das leis não garantirem a preservação dos mananciais, ela veio em boa hora, ou melhor, tarde demais, porque se essa lei tivesse sido criada no início da década de 1940, algumas indústrias poluentes não poderiam ter sido instaladas em área de manancial. Há produtos produzidos por indústrias instaladas nas bacias Billings e Tamanduateí, que são altamente tóxicos e constantemente tem vazado provocando a mortandade de peixes. As ocupações nos mananciais são permitidas de acordo com a categoria da área. Os locais com declividade acentuada não devem ser ocupados, como as áreas com florestas ciliares (matas que protegem os corpos d'água, daí o nome ciliares, que vem de cílio que protege os olhos), assim como charcos, brejos, nascentes,etc. As ocupações indevidas às margens da represa não trazem somente os problemas gerados pelos esgotos que caem diretamente no reservatório Billings. Essas ocupações acabam recebendo "melhoramentos" prejudiciais à área, como o asfalto, que acaba impermeabilizando o solo, fazendo com que a água da chuva que deveria penetrar no solo, lave o bairro, levando para a Billings toda a sujeira do local, que recebe o nome técnico de cargas difusas, já que é comum os moradores desses locais jogarem todo tipo de sujeira nos terrenos baldios, ou bocas de lobo próximos de suas residências. Por tudo isso, esperar que leis protejam esse rico manancial que é a represa Billings é acreditar em conto de fada, já que não podemos retirar dessas áreas (Seria ideal, mas não possível neste momento) milhões de pessoas. Que ao menos se desenvolva um trabalho permanente de educação ambiental junto à essas comunidades, num processo que alie educação e sensibilização, isto é, que faça a comunidade se inserir no processo e que essa comunidade não seja mera espectadora. Que se alie a panfletagem ecológica à educação, pois enquanto existirem, "meia dúzia" de ecologistas defendendo a Billings, ela estará perdida, pois o outro lado é bem mais que "uma dúzia".
fonte:www.abcdaecologia.hpg.ig.com.br
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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

A Amazônia é deles por Said Barbosa

Estava fuçando no site http://www.clubemundo.com.br/revistapangea/show_news.asp?n=129&ed=9 e achei esse site muito interessante.
/3/2002 A Amazônia é deles

Por Said Barbosa Dib*Este ano haverá mais uma mega-conferência internacional sobre meio ambiente, marcando dez anos da Eco-92. Como sempre, a mídia dará ênfase às queimadas “ciclópicas” na nossa Hiléia, o “besteirol” verbal será aberto e se assistirá à velha cantilena em torno dos mitos e tabus conhecidos. Cientistas dirão que o efeito estufa está derretendo o mundo, as ONGs sacudirão as sacolinhas e destacarão a necessidade de autonomia e preservação da cultura dos nossos autóctones, a CNBB fará campanha para ajudar a preservar o que já ajudou a destruir. Ecologistas, mesmo financiados pelo sistema financeiro mundial, dirão que a humanidade tem que consumir menos, e os pobres reclamarão que precisam consumir mais, ou passar a consumir pelo menos o mínimo. O mundo dirá que a riqueza biológica das florestas tropicais precisa de proteção, e os militares patriotas, isolados, responderão que a Amazônia é nossa. Esta Amazônia das manchetes jornalísticas é um lugar muito longe do Brasil real, mas já começa a ter uma aparência cada vez mais familiar aos nossos gostos de classe média consumista voltados para a imbecilidade hollyoodiana. Cada vez mais vemos louros de olhos azuis, entidades internacionais, missionários evangélicos bondosos, mercenários abusados da CIA e DEA, traficantes medicinais, cientistas preocupados e coisas afins, no pedaço. Um desses locais fica em Roraima, região potencialmente riquíssima, na fronteira com a Venezuela, onde vivem os índios yekuana.Segundo os ecoterroristas de plantão, os yekuana estão se sentindo mais fortalecidos agora, devido a sua maior aproximação da parte venezuelana da tribo, e também com uma ajudinha de alguns amigos europeus (que ninguém nos ouça!). Eles acabam de se tornar os primeiros índios brasileiros a conseguir uma rede de rádios por seus “próprios” meios, junto à Anatel. Trata-se de um povo que mantém o difícil equilíbrio entre sua cultura tradicional e os artifícios da vida moderna. Falando sua própria língua, mas sempre com bons intérpretes, eles levantaram recursos com a ONG internacional “Amigos” da Terra e alimentaram a burocracia de Brasília com a papelada (seria propina?) necessária para a legalização da rede de rádio. Da fiscalização do território ao fortalecimento dos seus laços familiares, a rádio dos yekuana é, aparentemente, um capítulo da verdadeira preservação da Amazônia. Mas, se formos um pouquinho menos ingênuos, veremos que a coisa não é bem assim. A comunicação à distância torna as fronteiras nacionais algo ainda mais abstrato na vida desses índios de Roraima, como foi para os kosovares da fragmentada Iugoslávia. "Os Yekuana descobriram o rádio como instrumento para tratamentos xamânicos à distância", conta o “imparcial” antropólogo Marcelo Piedrafita Iglesias, coordenador do Projeto Rádio Amazônia da Amigos da Terra. A convivência com esses índios, vizinhos quase desconhecidos dos famosos ianomâmi, revelou a Iglesias a essência do seu caráter: “são alegres entre si, mas extremamente sérios e objetivos nos contatos com o resto da sociedade; mostram grande capacidade de articulação política, mas nunca abrem mão da autonomia”. É interessante notar nos comentários do eminente estudioso a insistência na questão da autonomia. Essa índole independente fica clara , sim!, num dado curioso: os yekuana sempre resistiram às investidas das ONGs da Amazônia. Mas, atualmente, esta resistência vem sendo minada através de uma atuação milionária mais ostensiva por parte das forças internacionais.Os yekuana firmaram-se na região como bons produtores de canoas, seu trunfo principal nas operações de escambo. Mais recentemente, influenciados pela insistência de grupos missionários e entidades estrangeiras “humanitárias”, farejaram as maravilhas da tecnologia, desenvolvendo grande intimidade com o uso de placas solares e baterias (obtidas na Venezuela por contrabando. É claro!), conjunto utilizado sobretudo para iluminação de caçadas e deslocamentos noturnos. Com a eletricidade, entraram na era da TV e antena parabólica, voltadas, curiosa e principalmente para canais estrangeiros. Nunca assistem a “Casa dos Artistas”, mas são familiarizadíssimos com a CNN.Com toda essa atualização, esse pequeno povo (400 indivíduos do lado brasileiro, 4,8 mil no venezuelano) mantém praticamente intocados os valores e alicerces da sua cultura, dizem os representantes da Amigos da Terra. Mas, obviamente, apenas no que interessa aos seus “bem feitores”, pessoas sob uma forte presença dos pressupostos dos valores anglo-americanos e suas “preocupações humanitárias”. Além da fidelidade total à língua (mas já se arriscando nos rudimentos na língua anglo-saxã), conservam, por exemplo, a sua ritualização da morte. O rádio era o que faltava nessa alquimia. Um instrumento tecnológico que, para os yekuana, funciona, por um lado, principalmente como fator de união das famílias, guardiães da tradição. Por outro, um elemento óbvio de coesão entre tribos dos dois lados da fronteira, forjando-se uma certa identidade nacional (ou tribal) que, por enquanto, não existe. Tribos que nunca ou quase nunca se encontravam, que teriam apenas traços lingüísticos e tradições gerais em comum - só vistas nas mentes dos estudiosos de universidades dos países desenvolvidos ou suas filiais daqui – começam a se achar apenas diferentes do que os cerca. Porém, como a coisa vai, se depender dos estrangeiros que ali estão, com seu senso cristão “altruísta”, logo o MacDonald´s se estabelecerá na região, talvez com uma nova iguaria “politicamente correta”, com o sugestivo nome de MacYekuana´s, pois se a economia de subsistência dos índios permite consumir antenas parabólicas, porque não poderiam consumir hamburges? Aliás, na aldeia de Auaris, em dezembro, assistiu-se a uma cena linda: famílias caçando a tempo de defumar a carne e preparar o rancho para a chegada de parentes venezuelanos no Natal. Com Papai Noel, Coca-Cola e tudo mais, o encontro fora marcado pelo rádio. Da mesma forma circulam as informações sobre festas, casamentos e mortes, além de campanhas contra tudo que lembre os não-yekuanos, como os pobres caboclos brasileiros, por exemplo. Exceção, é lógico, para os guardiões das ONGs amigas. Há ainda celebrações ancestrais, como o ritual da moça nova (entrada na puberdade), mas em dezembro passado o rádio estava servindo para a montagem de um grandioso ritual de outra espécie: um campeonato de futebol, reunindo yekuanos do Brasil e da Venezuela. Seria este um torneio nacional ou internacional? Fora da Amazônia das manchetes de jornais e dos diplomatas, esta seria não uma bela confraternização internacional sob os olhares emocionados dos bondosos filantropos estrangeiros, mas o início da montagem de um projeto geopolítico safado que irá forjar, em breve, um Estado nacional sob o controle das ditas ONGs.No Brasil dos imbecis de plantão e dos desavisados, o campeonato não seria uma confraternização nem internacional nem brasileira, seria apenas única e exclusivamente a Copa Yekuana – única modalidade (esportiva, geográfica ou cultural) em que a Amazônia tem futuro. Para quem tem um pouquinho de tutano, no entanto, seria o primeiro passo para a transformação daquela região brasileira num quintal das potências estrangeiras, como um grande “zoológico” humano internacional, um jardim para a juventude ecologista de gringos ou, talvez, escancarando logo, uma dispensa de reservas estratégicas para a cozinha do capitalismo internacional. Mas, brincadeiras aparte, sejamos realistas. Esse interesse pela Amazônia ficou evidente e ampliou as ameaças à soberania brasileira, principalmente depois do serviço aerofotogramétrico realizado pelo Projeto Radam e de certa forma agressivo, com o advento dos satélites, que constataram, através de fotos, as potencialidades da região, considerada, hoje, a última e mais rica fronteira econômica do planeta. Isso foi o suficiente. Logo a Amazônia virou assunto na imprensa internacional. E, com tal assiduidade, que nos últimos anos ocupa, obrigatoriamente, o noticiário dos jornais e televisões do mundo inteiro. Haja vista o tema que foi o elemento de desempate na recente campanha presidencial da maior potência do Mundo, quando sabemos que os votos potenciais do candidato do Partido Verde roubaram eleitores do democrata Al Gore, o que permitiu a vitória de Bush por uma mínima e duvidosa diferença. Uma diferença tão pequena que fez Al Gore e Bush se comprometerem cada vez mais nas campanhas com um discurso voltado para as ONGs, envolvidas até as entranhas com a questão amazônica.Há muito este tipo de noticiário, falso e mal intencionado, vem projetando no mundo uma imagem distorcida e irreal da região, onde viveriam homens que destroem a natureza, matam índios e ofendem o ecossistema da maior reserva biótica do Mundo. A essa campanha externa de desinformação juntam-se entidades brasileiras, inocentes úteis, hipporongas “bem intencionados”, “alternativos”, “idealistas”, missionários aculturalizantes ou mercenários de movimentos ecológicos, quase sempre formados com isenção fiscal dada pelo Governo e financiados pelas transnacionais, para falarem mal do nosso País. Uma campanha espúria cujo objetivo principal é claramente evitar o povoamento efetivo da Amazônia por brasileiros, deixando a região vazia, sem o incômodo de futuras resistências da sociedade civil brasileira às investidas bélicas estrangeiras. Ou seja, querem ter certeza de que a Amazônia não será um novo Vietnã. Campanha ridícula e tendenciosa que, além de ofensiva à soberania de um país e a dignidade de seu povo, não vem encontrando do governo brasileiro qualquer reação. Essas esfarrapadas manifestações de piedade internacional pelo indígena brasileiro e pelos animaizinhos amazônicos, escondem o desejo de criação de Nações Indígenas na Amazônia a serem administradas por grupos religiosos ou pela ONU, tudo em nome de projetos “humanitários”. Principalmente agora que a arrogância dos membros da OTAN não tem mais freio, ao intervirem no Kósovo sem a sanção do Conselho de Segurança da ONU; principalmente depois que abriu-se um perigoso precedente no Direto Público Internacional com a prisão do general Pinochet há alguns anos, numa afronta absurda à soberania do Chile; ou o atual linchamento de Milosevic em Haia. Fatos estes que fortalecem posições jusnaturalistas que advogam um ignominioso Direito metafronteiriço que transcenderia a soberania das várias Nações-Estado. O discurso atual de “intervenção humanitária”, que pode potencialmente ameaçar a nossa soberania na Amazônia - como no caso do Kósovo e do Iraque -, apesar de seu cunho ideológico “politicamente correto”, toma uma dimensão intervencionista e ameaçadora ao ser utilizado para fins de defesa dos interesses geopolíticos das nações hegemônicas, na medida em que as potências ocidentais se aproveitam da falta de jurisprudência internacional que solucione tal contradição.A despeito de teóricos simplistas ou engajados na causa norte-americana, em pretenderem provar o contrário, os fatos demonstram que a estrutura do Direito Internacional Público está em frangalhos diante da prepotência, arrogância e irresponsabilidade norte-americana ante a geopolítica internacional nos últimos anos, principalmente depois de 11 de Setembro. Ela não vale, a continuar a subserviência da comunidade internacional aos norte-americanos, absolutamente nada.As intervenções em países como a Iugoslávia, o Afeganistão e o Iraque não são uma questão de intervenção humanitária regida pelo Direito Internacional, é uma questão de força bruta, descarada, violenta e ilegal. Deixemos de ingenuidade, por essas e por outras, a Amazônia está por um fio, seremos a bola da vez se não tomarmos providências.O que é pretendido, na verdade crua e nua, é a preservação ecológica da Amazônia, como forma de ´´ congelar`` a região, impedindo assim sua exploração mineral, pelo menos enquanto o Estado brasileiro for o dono. Como desde o final da década de 40 há uma desnacionalização dos veículos de comunicação no Brasil, a imprensa amestrada de hoje faz coro na defesa das teses internacionalizantes que ameaçam a nossa Soberania. Diante de qualquer esboço de que o governo brasileiro possa passar a realmente se preocupar com o desenvolvimento da Amazônia, as reações das forças internacionais e de seus comparsas daqui são violenta e prontamente acionadas. O Greenpeace, por exemplo, é o caso mais sintomático. Em novembro de 1990, entregou ao deputado estadual "verde", obviamente do PT, Carlos Minc (PT-RJ), e ao então procurador-geral da República, Gustavo Tepedino, cópias do chamado "Relatório Netuno", um exaustivo e nada científico levantamento sobre acidentes envolvendo bielonaves nucleares. A intenção era obviamente utilizar as informações tendenciosas do relatório em eventuais ações judiciais contra a presença de tais bielonaves em águas brasileiras. É a partir daí - é bom que se diga - que começou a transformação de alguns setores do Ministérios Público e de setores do Judiciário em verdadeiros instrumentos dessas organizações não-governamentais na manipulação de resultados de ações que se relacionem ao meio ambiente e ao desenvolvimento nacional, sempre em benefício de uma política que inviabilize o desenvolvimento do País (Isso, aliás, vem sendo objeto de investigação da CPI da ONGs no Senado).Mas, o que está por trás desta e de outras entidades tão "politicamente corretas", tão voltadas para a felicidade e o bem estar da humanidade? Quais são suas fontes de financiamento, quem cria suas estratégias, a quem estão ligados e quais setores estratégicos que os direcionam e por quais razões? Este internacionalismo humanista "espontâneo" foi conseqüência de idealismo de "maluquetes" hypporongas dos Anos 60, preocupados com a Paz e o Amor, ou é o resultado natural de uma estratégia geopolítica da plutocracia financeira anglo-saxônica em nos destruir? Acredito piamente na segunda hipótese. O Greenpeace e a sua complexa rede de coisas do gênero, continua sendo um dos mais eficientes e perniciosos instrumentos desse verdadeiro aríete anticivilizatório que é o movimento ambientalista. Movimento que não é, de forma alguma, um simples fenômeno sociológico espontâneo decorrente da conscientização sobre um suposto "desequilíbrio" nas relações homem-Natureza, como tentam fazer crer . Na verdade, dura e crua, ele é o produto de um sofisticado e sórdido processo de "engenharia social" desenvolvido pelos principais centros do poder político-econômico global, especialmente a oligarquia sediada no eixo Londres-NY, o autodenominado "Clube das Ilhas". Encabeçado pela família real britânica, a casa de Windsor, o clubinho envolve entidades poderosas, onde destaca-se a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), o Fundo Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), o Fundo Mundial para a Natureza (anteriormente, Fundo Mundial para a Vida Selvagem - WWF), a Fundação Rockefeller, o Instituto Tavistock, o Instituto Aspen, o Clube de Roma e outras coisinhas do gênero. Todas, entidades com um longo currículo nada nobre de colaboração com o Pentágono e agências de inteligência norte-americanas e inglesas (como a CIA) ao longo da Guerra Fria, contra a estabilidade de nossas instituições. Foram estas mesmas instituições internacionais que financiaram grupos golpistas e desestabilizadoras no Brasil, como o IBES/IBAD, numa verdadeira lavagem celebral de nossas elites. Doutrinação esta que culminaria nas visões mais equivocadas de "nossa" doutrina de Segurança Nacional, que foi responsável pelos desvios ideológicos que confundiram nossos militares patriotas acerca dos verdadeiros inimigos do Brasil. Esse equívoco redundou em anos de ditadura militar, que apenas serviram para denegrir a imagem de nossos militares e abrir caminho para tudo isso que vem acontecendo hoje na Era FHC. No caso específico da atual doutrinação "salva-bichinho", salva-plantinha", o objetivo último é a erradicação da idéia-força do republicanismo como diretriz de organização da sociedade humana e a destruição da sua materialização política: o Estado Nacional soberano, dedicado à promoção do interesse público, do progresso e do bem-estar geral da sociedade. A intenção é substituir o Estado nacional por uma estrutura de "governo mundial" - uma "Nova Ordem Mundial" fascista, baseada no liberalismo radical e no maulthusianismo (do qual o ambientalismo não passa de uma atualização ideológica para ingênuo boçal ver).A instrumentalização política do ambientalismo tem um tríplice finalidade. A primeira e mais importante é a disseminação do irracionalismo e do pessimismo cultural entre a população em geral, fazendo com que esta aceite sem questionamento a subordinação das políticas de promoção do bem-estar e do desenvolvimento socioeconômico a requisitos de "proteção do meio ambiente", geralmente exacerbados e sem fundamento científico. A segunda é favorecer a aceitação da tese fascista do "governo mundial", para a qual os problemas ambientais, reais ou supostos, são perfeitamente adequados, devido à percepção popular de que "o meio ambiente não tem fronteiras" e, portanto, a sua solução dependeria de uma "legislação supranacional" mais facilmente aceitável (e que abra precedentes para outras áreas políticas).A terceira é a manipulação direta de argumentos ambientais para obstaculizar projetos de desenvolvimento, particularmente, no setor de infra-estrutura, como é o caso atual dos projetos hidroviários brasileiros, virtualmente paralisados por uma solerte campanha de pressão baseadas em falsos argumentos ambientais e de "proteção" de comunidades indígenas. O ambientalismo não é um movimento de diletantes, mas uma articulação política de alcance global, voltado contra os Estados nacionais soberanos e a própria essência da Civilização. Essa nova plumagem ambientalista do imperialismo é constituída por um conjunto de famílias aristocráticas da Europa e da América do Norte, que inclui as primeiras casas financeiras da City de Londres e Wall Street, as antigas sócias da famigerada Cia. das Índias Orientais - que tantas desgraças levou a países como a China e a Índia - e as velhas famílias escravocratas do Sul dos EUA. Estas belezas com um currículo humanitário de fazer inveja ao Demo, controlam diretamente o Banco da Inglaterra, o Sistema de Reserva Federal norte-americno, as grandes empresas bancárias, financeiras e seguradoras, os conglomerados alimentícios, as megamineradoras, os oligopólios energéticos, a grande mídia internacional e, de lambuja, as indústrias estratégicas da Europa e América do Norte. Controlam, ainda, as principais organizações do sistema das Nações Unidas, como o Fundo Monetário (FMI), o Banco Mundial (BIRD), a Organização Mundial do Comércio (OMC), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e, óbvio, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Todas as empresas do esquema atuam em estreita cooperação com os serviços de inteligência da Inglaterra, dos EUA e de Israel, principalmente o primeiro. Em sua cúpula, a Casa de Windsor, a casa real britânica, atua como uma espécie de primus inter pares da cúpula. O "Clube das Ílhas" criou e dirige a gigantesca máquina de propaganda e ação política representada pelo aparato das ONGs ambientalistas. As primeiras delas foram a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), fundada em 1848, e o Fundo Mundial para a Natureza (WWF), criado em 1961. O financiamento para este aparato, cuja organização se intensificou nas décadas de 60 e 70, provém de uma vasta infra-estrutura constituída por mais de 1.000 fundações familiares da América do Norte e da Europa, além de doações de empresas privadas e agências governamentais dos EUA, Canadá e outros países. Entre elas, destaca-se o ultra-seleto "Fundo 1001" para a Natureza (1001 Nature Trust), fundado em 1971 pelo príncipe Bernardo da Holanda, para financiar as atividades do WWF. O "Clube 1001", como é mais conhecido, reúne 1001 membros especialmente convidados, recrutados entre a nata da oligarquia internacional, cada um dos quais paga uma taxa de admissão de 10.000 dólares. A grande maioria dos militantes do ambientalismo foi recrutada entre as fileiras da "Nova Esquerda" e do movimento da contracultura das décadas de 60-70, igualmente promovidos e financiados pela oligarquia. Na época do programa "Aliança para o Progresso" do presidente norte-americano Kennedy, quando o exemplo cubado ameaçava influenciar novos movimentos nacionalistas na América Latina, foram justamente estes setores do "Clube das Ílhas" que ajudou o governo americano. Foram eles que financiaram, por exemplo, a fundação e toda a logística da famosa CEPAL, grupo de estudos formado por lideranças e intelectuais esquerdistas latino-americanos com o objetivo de encontrar fórmulas para o desenvolvimento da região. A Fundação Rockefeller foi a principal fonte de alocação de recursos. Foi justamente nesta época que o senhor FHC "escreveu" seus livretes sociológicos, financiado justamente por esta instituição. Foi naquela época, portanto, que o plano de condicionamento das esquerdas latino-americanas começou, foi naquele contexto que Fernando Henrique e Cia. foi adestrado pela plutocracia mundial. Por isso, nada do que vem fazendo este senhor me surpreende. Hoje, sabemos que muitos outros foram também cooptados, até chegarmos a situação em que chegamos. E o caminho de Lula e do PT, pelas últimas declarações e pelas relações siamesas que têm com as ONGs, não será diferente. Ele está também amestrado. Por isso, não me surpreenderá nada se ganhar a eleição deste ano. Não é por outra razão que a CUT, historicamente associada ao PT, finalmente acordou e não participou do teatro montado pelas ONGs no segundo encontro do Fórum Mundial de Porto Alegre. O controle de todo esse aparato é exercido diretamente pelo "Clube das Ílhas", por intermédio da Casa de Windsor e suas redes. Em um segundo nível, estão as organizações oficiais internacionais (PNUMA, PNUD, etc.), as fundações e corporações financiadoras do movimento. A seguir, como um anteparo entre tais círculos aristocráticos e as ONGs que formam as "tropas de choque" do movimento, encontra-se uma ampla rede de "organizações respeitáveis", dirigidas por "cidadãos acima de qualquer suspeita" (World Resources Institute, Worldwatch Institute, Environmental Defence Fund, Conservation International, etc.). Nos degraus inferiores, começam a aparecer os "aríetes" do movimento, como o Greepeace, Amigos da Terra e outras, cujo grau de radicalismo vai crescendo até se chegar às organizações prototerroristas e abertamente terroristas. Mas qual a base ideológica que subjaze a todo este movimento de poderosos nobres e plutocratas "politicamente corretos"? Além da visão malthusiana travestida de ambientalista, que não admite que outros povos atinjam graus minimamente humanos de civilização, existe alguma filosofia política por trás disso tudo? A resposta é sim! Chama-se permeation, uma estratégia política de dominação, uma atividade de propaganda totalmente peculiar, formada pelo chamado "fabianismo", movimento político-ideológico surgido justamente na Inglaterra em 1883. Formou-se por obra de intelectuais como Sidney Webb, George Bernard Shaw, Annie Besant, Edward Peace, entre outros, que fundaram uma associação privada com a finalidade de "contribuir para a reconstrução da sociedade de acordo com as mais altas possibilidades morais". A associação se inspirou na estratégia contemporizadora usada nas guerras pelo cônsul romano Fábio Máximo, daí o nome fabianismo ou Fabian Society. O movimento fabiano derivou de duas correntes de pensamento: de um lado, a tradição liberal inglesa, transmitida pelos escritos de John Stuart Mill e pelo radicalismo londrino da década de 1880, tributário em grande parte da doutrina positivista francesa; de outro lado, o internacionalismo socialista e as lutas das trade-unions (sindicatos) e do movimento cartista da Inglaterra no século passado. Muitos estudiosos sustentam, portanto, que o fabianismo é um liberalismo inglês não atingido pelo marxismo. A "unicidade" do movimento estava na especialíssima compenetração entre o socialismo não-marxista com a tradição liberal inglesa. Utilizavam uma forma toda peculiar de ação que procurava, ao máximo possível, evitar contatos com as massas populares, embora advogassem avanços sociais para os mesmos (contando que fossem ingleses). Utilizavam-se do que chamavam de permeation como estratégia política, que consistia na tentativa de influenciar as pessoas que ocupassem postos - chaves de poder na sociedade, em todos os níveis e todos os campos: exatamente políticos, professores, diplomatas, empresários e lideranças sindicais, que deveriam ser "permeados" de tal modo que pudessem se engajar em sua causas internacionalistas e sociais. Esses profissionais, assim, poderiam prestar um serviço mais válido à comunidade voltado para a melhoria das condições sociais dos trabalhadores ingleses, mas sempre tendo em vista os interesses da Grã-Bretanha. Nesta atitude elitista, golpista, de ação política baseada na intriga, nos bastidores, não tinham interesses em ocupar cargos públicos, mas apenas de controlar ou manipular os agentes dos cargos públicos. Hoje, o "Clube das Ílhas" transferiu isso para o nível planetário e o Brasil e a América Latina vêm sendo o seu grande laboratório. Os setores estereotipados do PT como "xiitas" sabem disso, por essa razão estão a cada dia mais distantes dos líderes moderados (entenda-se: adestrados) do partido. Parece, no caso brasileiro atual, que as coisas não são apenas coincidentes. É o que explica a verdadeira idéia fixa do Governo Federal em se submeter ao que vem de fora. Mas o assunto é complexo e a rede de intrigas incomensurável. Hoje, estes pseudo-esquerdistas e ecologistas de plantão, “permeados” e no comando de nosso amado País nos mais variados níveis, não governam coisa nenhuma. Na verdade, são garotos de recado destes neo-fabianos malthusianos que nos infligem políticas destrutivas que vêm destruindo nossa família, nossos recursos, nossos sonhos, nosso povo, fato que explica o constante estado de tensão social por que passamos. Vamos acordar brasileiros, a questão da preservação ambiental, preocupação tão óbvia para a nossa preservação, não pode ser usada para fins outros que não o nosso bem. (*) Said Barbosa DiB é professor de História em BrasíliaEmail: saidib@ig.com.br

sábado, 20 de fevereiro de 2010

A carta do chefe Seattle


"Em 1854, "O Grande Chefe Branco" em Washington fez uma oferta por uma grande área de território indígena e prometeu uma "reserva" para os índios.

A resposta do Chefe Seattle, aqui reproduzida na íntegra, tem sido considerada uma das declarações mais belas e profundas já feitas sobre o meio-ambiente:

“Como você pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? A idéia é estranha para nós.
Se nós não somos donos da frescura do ar e do brilho da água, como você pode comprá-los?
Cada parte da Terra é sagrada para o meu povo.

Cada pinha brilhante, cada praia de areia, cada névoa nas florestas escuras, cada inseto transparente, zumbindo, é sagrado na memória e na experiência de meu povo.

A energia que flui pelas árvores traz consigo a memória e a experiência do meu povo.
A energia que flui pelas árvores traz consigo as memórias do homem vermelho.

Os mortos do homem branco se esquecem da sua pátria quando vão caminhar entre as estrelas.
Nossos mortos nunca se esquecem desta bela Terra, pois ela é a mãe do homem vermelho.
Somos parte da Terra e ela é parte de nós.
As flores perfumadas são nossas irmãs, os cervos, o cavalo, a grande águia, estes são nossos irmãos.
Os picos rochosos, as seivas nas campinas, o calor do corpo do pônei, e o homem, todos pertencem à mesma família.

Assim, quando o Grande Chefe em Washington manda dizer que quer comprar nossa terra, ele pede muito de nós.
O Grande Chefe manda dizer que reservará para nós um lugar onde poderemos viver confortavelmente.
Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos.
Então vamos considerar sua oferta de comprar a terra.
Mas não vai ser fácil.
Pois esta terra é sagrada para nós.

A água brilhante que se move nos riachos e rios não é simplesmente água, mas o sangue de nossos ancestrais.
Se vendermos a terra para vocês, vocês devem se lembrar de que ela é o sangue sagrado de nossos ancestrais.
Se nós vendermos a terra para vocês, vocês devem se lembrar de que ela é sagrada, e vocês devem ensinar a seus filhos que ela é sagrada e que cada reflexo do além na água clara dos lagos fala de coisas da vida de meu povo.
O murmúrio da água é a voz do pai de meu pai.

Os rios nossos irmãos saciam nossa sede.
Os rios levam nossas canoas e alimentam nossas crianças.
Se vendermos nossa terra para vocês, vocês devem lembrar-se de ensinar a seus filhos que os rios são irmãos nossos, e de vocês, e consequentemente vocês devem ter para com os rios o mesmo
carinho que têm para com seus irmãos.
Nós sabemos que o homem branco não entende nossas maneiras.
Para ele um pedaço de terra é igual ao outro, pois ele é um estranho que chega à noite e tira da terra tudo o que precisa.
A Terra não é seu irmão, mas seu inimigo e quando ele o vence, segue em frente.
Ele deixa para trás os túmulos de seus pais, e não se importa.
Ele seqüestra a Terra de seus filhos, e não se importa.

O túmulo de seu pai, e o direito de primogenitura de seus filhos são esquecidos.
Ele ameaça sua mãe, a Terra, e seu irmão, do mesmo modo, como coisas que comprou, roubou, vendeu como carneiros ou contas brilhantes.
Seu apetite devorará a Terra e deixará atrás de si apenas um deserto.
Não sei.
Nossas maneiras são diferentes das suas.
A visão de suas cidades aflige os olhos do homem vermelho.
Mas talvez seja porque o homem vermelho é selvagem e não entende.

Não existe lugar tranqüilo nas cidades do homem branco.
Não há onde se possa escutar o abrir das folhas na primavera, ou o ruído das asas de um inseto.
Mas talvez seja porque eu sou um selvagem e não entendo.
A confusão parece servir apenas para insultar os ouvidos.
E o que é a vida se um homem não pode ouvir o choro solitário de um curiango ou as conversas dos sapos, à noite, em volta de uma lagoa.
Sou um homem vermelho e não entendo.

O índio prefere o som macio do vento lançando-se sobre a face do lago, e o cheiro do próprio vento, purificado por uma chuva de meio-dia, ou perfumado pelos pinheiros.

O ar é precioso para o homem vermelho, pois todas as coisas compartilham o mesmo hálito – a fera, a árvore, o homem, todos compartilham o mesmo hálito.
O homem branco parece não perceber o ar que respira.
Como um moribundo há dias esperando a morte, ele é insensível ao mau cheiro.

Mas se vendermos nossa terra, vocês devem se lembrar de que o ar é precioso para nós, que o ar compartilha seus espíritos com toda a vida que ele sustenta.

Mas se vendermos nossa terra, vocês devem mantê-la separada e sagrada, como um lugar onde mesmo o homem branco pode ir para sentir o vento que é adoçado pelas flores da campina.

Assim, vamos considerar sua oferta de comprar nossa terra.
Se resolvermos aceitar, eu imporei uma condição – o homem branco deve tratar os animais desta terra como se fossem seus irmãos.

Sou um selvagem e não entendo de outra forma.
Vi mil búfalos apodrecendo na pradaria, abandonados pelo homem branco que os matou da janela de um trem que passava.

Sou um selvagem e não entendo como o cavalo de ferro que fuma pode se tornar mais importante que o búfalo, que nós só matamos para ficarmos vivos.

O que é o homem sem os animais?
Se todos os animais acabassem, o homem morreria de uma grande solidão do espírito.
Pois tudo o que acontece aos animais, logo acontece ao homem.
Todas as coisas estão ligadas.

Vocês devem ensinar a seus filhos que o chão sob seus pés é as cinzas de nossos avós.
Para que eles respeitem a terra, digam a seus filhos que a Terra é rica com as vidas de nossos parentes.
Ensinem as seus filhos o que ensinamos aos nossos, que a Terra é nossa mãe.
Tudo o que acontece à Terra, acontece aos filhos da Terra.
Se os homens cospem no chão, eles cospem em si mesmos.

Isto nós sabemos – a Terra não pertence ao homem – o homem pertence à Terra.
Isto nós sabemos.
Todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família.
Todas as coisas estão ligadas.

Tudo o que acontece à Terra – acontece aos filhos da Terra.
O homem não teceu a teia da vida – ele é meramente um fio dela.
O que quer que ele faça à teia, ele faz a si mesmo.

Mesmo o homem branco, cujo Deus anda e fala com ele como de amigo para amigo, não pode ficar isento do destino comum.

Podemos ser irmãos, afinal de contas.
Veremos.
De uma coisa nós sabemos, que o homem branco pode um dia descobrir – nosso Deus é o mesmo Deus.
Vocês podem pensar agora que vocês O possuem como desejam possuir nossa terra, mas vocês não podem fazê-lo.
Ele é Deus do homem, e Sua compaixão é igual tanto para com o homem vermelho quanto para com o branco.
A Terra é preciosa para Ele, e danificar a Terra é acumular desprezo por seu criador.
Os brancos também passarão, talvez antes de todas as outras tribos.

Mas em seu desaparecimento vocês brilharão com intensidade, queimados pela força do Deus que os trouxe a esta terra e para algum propósito especial lhes deu domínio sobre esta terra
e sobre o homem vermelho.
Esse destino é um mistério para nós, pois não entendemos quando os búfalos são mortos, os cavalos selvagens são domados, os recantos secretos da floresta carregados pelo cheiro de muitos homens, e a vista das montanhas maduras manchadas por fios que falam.

Onde está o bosque?
Acabou.
Onde está a águia?
Acabou.
O fim dos vivos e o começo da sobrevivência.”

Extraído de The Irish Press, sexta-feira, 4 de junho de 1976.